terça-feira, 11 de maio de 2010

Panchões

A maior fábrica de panchões de Macau ficava na Ilha da Taipa. Centenas de homens, mulheres e crianças trabalhavam na indústria de panchões. De vez em quando, um (ou mais que um) paiol explodia. O estrondo era medonho e quase sempre havia mortos e feridos. Uma das maiores explosões, de que me lembro, ocorreu a 25 de Setembro de 1954 e provocou oito mortos entre os quais duas crianças e dezenas de feridos.

Perto da nossa casa, no largo da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, era frequente ver-se um estendal de panchões a secar. Era aí que nos abastecíamos.


10 de Junho de 1957 (2)

Depois das celebrações oficiais, festival de chapéus para o banquete

10 de Junho de 1957

Para as comemorações do dia de Camões, a minha mãe foi convidada para fazer o discurso da praxe. Encontrei há tempos o rascunho do texto que ela preparou para a ocasião.

"Excelentíssimo Senhor Governador de Macau,
digníssimas autoridades,
minhas senhoras, meus senhores,
queridos alunos,
Vieram hoje aqui, a esta gruta, para ouvirem contar una história. Não é de fadas nem de príncipes encantados; é sim um príncipe, o Príncipe dos Poetas Portuguêses que contou nos Lusíadas os feitos sublimes e imorredouros dos que honraram a Raça Portuguêsa, "aqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando" [...]
Presidiu a cerimónia Joaquim Marques Esparteiro, Oficial da Marinha,  foi Governador de Macau de 1951 a 1957.

as digníssimas autoridades

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril de 1974 - 36 anos depois

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as máguas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

[...] Sonetos de Luis de Camões

Liberdade

 "Meu povo, liberta-te, liberta-te! liberta-te, meu povo! ou morre."
Joaquim Namorado

cravos de Abril

25 de Abril


MFA


sábado, 24 de abril de 2010

"Vésperas de Abril" de Francisco Seixas da Costa, Embaixador de Portugal em França


"Vésperas de Abril

Com o ar sereno que projectava confiança, a que a calvície precoce também ajudava, o António juntou-se à mesa do Montecarlo onde, sem arranjos prévios, nos íamos encontrando em algumas noites desses últimos meses de 1973. Forte da sua aura de resistente, que sabíamos ligado ao “Partido” ainda antes das lutas de 69 em Coimbra, com contactos cuja solidez nos não passava pela cabeça pôr em causa, lançou em tom algo displicente, seguro de antecipar a nossa ignorância: “Então, já há mais novidades de Castelo Branco?”.

Porque outra coisa não seria presumível na sua boca, habitualmente dada ao sério reportar de eventos heróicos das “massas”, logo nos cheirou a bernarda política sobre a qual, porém, a nossa troca de olhares rapidamente traiu uma amesquinhante comunhão no desconhecimento. Explorando o embaraço colectivo, o António, sem largar o tom algo sobranceiro de quem “bebe do fino”, mas já aberto a alguma generosidade informativa, lá esclareceu: “Então vocês não sabem do levantamento de rancho e da saída das tropas para a rua?”.

Ninguém sabia de nada, ninguém tinha ouvido falar de qualquer movimentação de tropas, parte substancial da mesa acordara nesse segundo para a própria existência de um regimento em Castelo Branco.

Registe-se, para a História, que era tudo mentira, que nem uma palha mexera na tropa das Beiras, que o boato surgira, como habitualmente, da magnificação de uma qualquer rixa menor, lida à luz da matriz de esperança que à época pintava qualquer buliço castrense, com que a rapaziada à roda do PCP ia alimentando a perpétua madrugada dos amanhãs que por cá tardavam em cantar.

Era assim o Portugal de então, para quantos dentre nós, na casa dos 20 e dos 30, nos entretínhamos, na cavaqueira após o jantar, a cultivar pequenas historietas com ressonância política, enquadrando-as nessa manta de retalhos informativos que individualmente coleccionávamos e que nos dava a ilusão de estarmos a acompanhar o curso das coisas, de percebermos o fio condutor do que politicamente se passava à nossa volta.

(Previno, desde já, o leitor que não encontrará, no que se vai seguir, veleidades de generalização sociológica e que assumo, sem hesitações, o carácter subjectivo da minha própria experiência pessoal e o datado simplismo da perspectiva que deixo registada. Mas arrisco poder representar, em muita dessa vivência e desse mesmo olhar, um ambiente que combinou o tempo estudantil de alguns, a diversa vida já profissional de uns quantos e o percurso jornalístico-intelectual de outros escassos eleitos que quase todos invejávamos.)

Juntos construíamos, no cultivo do debate de âmbito quase renascentista e da troca do “gossip” político-cultural, nessa Lisboa de pouco antes de Abril, um terreno de convivialidade dispersa que marcou alguma da nossa geração.

A Lisboa dos cafés, onde muitos de nós atenuávamos a solidão de quem caíra na capital um tanto desamparado, era um espaço de absorção, por vezes um tanto impressionista, de uma imensidão de sinais culturais que, ainda que sem grande critério, pressentíamos essenciais à afirmação de uma certa modernidade de pensamento, que nos dava a cómoda sensação de pertença à tribo.

As novidades francesas recolhidas (sabe-se lá como...) das mesas da Livrelco ou da cómoda solidão da Universitária, os suplementos literários dos vespertinos, os ciclos de cinema francês e as sessões de cine-clube do Chile, os cursos político-culturais e os colóquios no “novo” Centro Nacional de Cultura iam de par com debates mais pesados que atravessavam as páginas da “Vértice”, da “Seara”, do “Notícias da Amadora” ou, mesmo, do “Jornal do Fundão”. À época, “O Tempo e o Modo” estava já entregue a um radicalismo sem remissão, o róseo “Comércio do Funchal” deixara de ser novidade e até o “& etc” perdera a sua graça meio anarca.

As raras polémicas na imprensa, quase sempre envolvendo apenas figuras de sensibilidades da esquerda, acabavam por funcionar como mecanismos de substituição do debate democrático que não tínhamos e davam a cada um de nós um gozo proporcional à respectiva capacidade de partilha do código de leitura dos textos que o regime censório deixava passar, pela certeza que tinha da sua inocuidade prática em termos de proselitismo ideológico.

Marcados por uma evolução mais radical, alguns dessa geração assumiam ao tempo uma actividade política mais empenhada, de paralelo ou em substituição da militância associativa universitária. Uma vezes inserindo-se na proliferação esquerdista em crescendo (do maoísmo à LUAR, passando pelo PRP ou por aquilo que viria a ser o MES), as mais das vezes caminhando ao lado de um PCP cujos “revisionismo” e alegada passividade não esmoreciam as convicções de quem continuava a ver no “Partido” o eixo incontornável da vida política da oposição.

Alguns vindos dos áureos tempos do Vává, dos sobressaltos românticos da Suprema ou das noitadas da Alga, muitos de nós empreendêramos entretanto uma transição geográfica em moda, da Grã-fina até ao Montecarlo. Neste coabitavam já mundos muito diversos, da tertúlia neo-realista à marginalidade sexual, do vário jornalismo a um certo “bas-fond”, confinado este à área do dominó protegido pelos bilhares. O Montecarlo era um curioso espaço plural, uma espécie de permanentes “estados gerais” de uma esquerda em definição de projectos que, quando abonada, assomava ao bife nas “toalhas” e, na rotina da crise, se resumia à imperial do fim de tarde ou à bica da noite.

Esse é também o tempo da passagem frequente para “o outro lado da noite”, de que o Bolero e, mais tarde, o Jamaica vão ser exemplos fortes, aliás numa linha de colagem de mundos que várias gerações de Lisboa sempre se entretiveram a cultivar e de que o Maxime e o Ritz Club, e noutras horas o British Bar, serão pilares eternos.

A política era, porém, um cenário de referência comum, se bem que com graus muito diversos de afirmação, de sensibilidade e, em particular, de intervenção. O choque eleitoral de 1969, complementado com as ressacas tardias do Maio do ano anterior, tinha ajudado a adubar o saudável mal-estar que se sabia atravessar estudantes, sindicatos e, ao que se dizia, também militares. Se a revolução não parecia estar ao virar da esquina, o fumo do fim do regime pressentia-se já no horizonte, embora sem saídas naturais muito evidentes.

Marcelo Caetano revelava-se sem garra para recuperar, através de reforma ousada, as brechas psicológicas provocadas na opinião pública pelo cansaço da guerra colonial, pela dessintonia institucional com um mundo exterior que se infiltrava no país por todos os lados, tendo como pano de fundo a crise económica que a situação petrolífera acentuara no edifício do regime. O marcelismo, fórmula recauchutada do salazarismo por via inábil, havia-se refugiado na revisão semântica (DGS, ANP, Exame Prévio) como elemento de auto-convencimento da vontade da mudança, desmentida pelo abandono com estrondo da “ala liberal”, pela forçada inoperância da solução SEDES e pelo enveredar pela reciclagem do pessoal da “situação”. Marcelo simbolizava a modorra do empate político, entre os “ultras” que pareciam tutelar Tomás e o bando disperso de renovadores sem aparente liderança.

O “Expresso” era a face mais visível do descontentamento do pessoal mais liberal - que, há que confessá-lo, muitos de nós olhávamos à época com algum desdém, por identificarmos com um sector da classe política dominante que apenas vivia na não respeitável ânsia de tentar garantir espaço para uma qualquer via reformista que evitasse a ruptura radical. Ainda assim, o jornal era a porta mais aberta ao nosso “voyeurisme” face ao regime, que apreciávamos com algum deleite exterior, porque era muito mais criativo que o discurso ainda um tanto reviralhista do “República” e só acompanhado pela subtileza persistente do “Lisboa”.

Mas a guerra continuava a ser, para muitos dentre nós, o verdadeiro elemento de fronteira que distinguia o que era politicamente correcto (o termo tinha então um significado bem diferente do actual) de tudo quanto se colava ao regime. O estatuto dos “movimentos de libertação” impunha-se então como um dogma sem contestação, erigido mesmo num símbolo de pureza ideológica que utilizávamos para absolver as nossas próprias fraquezas. Estar desse lado, sem condições, impunha-se à esquerda de então como uma evidência, um pouco como o que sucedeu mais tarde a todos nós com a causa timorense.

É claro que nem todos tinham a mesma visão táctica. Em crescendo, os maoístas iam ocupando com eficácia o terreno das escolas, sofrendo, ciclicamente, uma repressão selectiva que potenciava novas ondas de contestação, que o regime se via em palpos de aranha para controlar. Das manifestações-relâmpago à proliferação panfletária, os grupos que se reclamavam de Pequim e Tirana iam tecendo um interessante, embora heterogéneo, movimento de destabilização académica que, como sempre, desagradava profundamente ao PCP, que perdia em terreno o que ganhava em diabolização ideológica.

Para os comunistas “oficiais”, que a polícia continuava a manter como alvo preferido, o período eleitoral de 73 consagrara, porém, o passo unitário prenunciado no Congresso de Aveiro, ao terem conseguido um entendimento com a corrente socialista, o que atenuou os dissídios fratricidas de 69. A isso se cumulava o seu crescente ascendente junto de uma parte do movimento católico, cada vez mais radicalizado desde os acontecimentos da Capela do Rato, parte chegando mesmo a ligar-se a uma deriva bombista, que o próprio PCP se vira forçado a acompanhar por via da ARA.

Algumas faixas do movimento católico democrático mantinham-se, contudo, à distância destas tentações e fixavam o pessoal político que caminhava na órbita declaratória da SEDES, que o 25 de Abril viria a espalhar pelo PS e pelo PPD.

Num registo menos dado a movimentações de massas, os socialistas haviam finalmente concretizado em Bad Godesberg a sua estruturação em partido, sob um programa político algo avançado para a sua base social tradicional. Esta continuava a não ultrapassar as profissões liberais de província e um conjunto de quadros urbanos da pequena e média burguesia, que em Lisboa se sabia agrupados num sector da “Seara”, em cooperativas e em alguns ritos persistentes, para além de cada vez mais dominantes na linha do “República”. Ideologicamente, continuavam federados pela imagem exilada de Mário Soares, recém-prestigiado pela publicação de um “Portugal baillonné” que nos chegara pelas cumplicidades na “Barata”, na “Moraes” ou na “Opinião”.

Neste quadro, onde seguramente falta muita gente, começavam finalmente a aparecer os militares. De início eram apenas uns rumores de descontentamento de carreiras, através de uns textos que relevavam mais do corporativismo que da revolta com possíveis consequências. Sabia-se de Spínola e da sua corte de apaniguados da Guiné, mas temia-se que a distância que o separava de Kaúlza fosse sempre mais curta do que a que ia até à Esquerda. Entre as operações “Mar Verde” e “Nó Górdio” não se via uma diferença que justificasse um mínimo de crédito. Longe pareciam os tempos dos militares políticos da Sé ou de Beja, e só os mais informados conheciam Melo Antunes, embora duvidassem que tivesse condições para levar à prática o seu rigor.

Reconheça-se que a experiência de convivência militar de muitos de nós, muito em especial desde os penosos tempos de Mafra, não aconselhava ao alimentar da esperança numa regeneração das Forças Armadas, que o passado ensinara penderem facilmente para o partido da ordem, temerosas com os descontrolos da rua. Acresce que, com escassas excepções, originadas pela abertura social do recrutamento, os militares de carreira que íamos frequentando, se bem que sensíveis a um certo desinquietar ideológico esquerdizante, nos pareciam ainda muito presos a reflexos de casta. Daí as reticências, e até alguma distância, com que víamos as suas movimentações e as raras virtualidades que lhes atribuíamos.

Felizmente, a realidade tem muito mais imaginação que os homens. Nesses idos de 73 e inícios de 74, a força da movimentação democrática na tropa acabou por nos surpreender a todos, pela inesperada conversão de reivindicações corporativas, de raiz algo discriminatória face aos milicianos, numa consciência de poder potencial que levou à definição de um inesperado programa de democratização, com o fim da guerra como cenário, embora então apenas implícito.

A certa altura, aqueles que, como eu, serviam de militares a prazo, foram obrigados pela força das coisas a ter de levar a sério a “rapaziada do quadro” e a tentar integrar a nova onda política que se começava a formar, quanto mais não fosse para ensaiar participar nalgum controlo do sentido do seu rebentamento.

As informações que nos iam chegando começaram a prenunciar coisa séria e forçaram-nos mesmo a gizar um entendimento exterior, por sobre as nossas próprias divisões políticas. Recordo duas tumultuosas reuniões de milicianos - uma delas em Campolide, outra perto da Almirante Reis - onde, num granel organizativo e informativo que roçava a irresponsabilidade em termos de segurança, verificámos o muito que estava a mexer no “quadro permanente” e que as coisas tinham já uma dimensão que seria suicídio não procurar explorar.

Verdade seja que, para muitos, não era claro se a ruptura pressentida iria, de facto, desembocar numa linha afirmadamente democrática (e muito socializante, como alguns então pretendíamos) ou se, ao invés, não estaríamos a dar vento e a ser inocentes úteis para uma qualquer “quartelada” da qual nos acabasse por sair um Kaúlza ou figura de idêntico jaez. Mas a parada valia o risco.

Seguem-se a edição do “Portugal e o Futuro”, a cena da “brigada do reumático” e as demissões de Spínola e Costa Gomes. Não havia ilusões de que o Portugal que emanava do livro de Spínola era uma espécie de gaullismo requentado, sem óbvio futuro mas com a simpática virtualidade de dividir as hostes e trazer para o campo contra o regime sectores a que a Esquerda tradicional não chegaria nunca. A aventura das Caldas não nos sossegou quanto ao que resultaria de um golpe militar, mas deixou-nos mais optimistas face ao estado de alma dos que discretamente se mobilizaram então para o apoiar.

Nas noites inquietas que se seguiram, cruzámos boatos e revimos sinais, para tentar perceber em que sentido o que estava prestes a acontecer encaminharia o futuro de todos. Ninguém tinha uma percepção total das coisas, mas a progressiva junção de dados começava a tornar o “puzzle” mais coerente e com perspectivas de resolução.

Estou a ver o sorriso nervoso e o tom de gravidade histórica com que o António Reis nos disse, na biblioteca do quartel da EPAM, ao fim da manhã de 24 de Abril : “É hoje à noite!”. Quando saiu, os três ou quatro que partilharam o segredo entraram num minuto estranho de silêncio, na consciência do peso insuportável da informação recebida. Todos sentimos que o dia seguinte - a que ninguém se lembrou então de chamar “25 de Abril” - seria o princípio de uma história diferente para todos nós, acontecesse o que acontecesse.

O resto é conhecido. Não me consta que o outro António, de que lhes falei no início do texto - e que por aí anda -, haja aparecido nessa noite no Montecarlo a anunciar o arranque do Maia da parada de Santarém ou os golpes de mão à RTP e ao Rádio Clube, para daí a pouco. E ninguém lhe terá dito que, a essa mesma hora, Castelo Branco estava - agora sim!- a sair para a rua, rumo à vitória por que lutara.

O Montecarlo é hoje uma loja espanhola, mas os espaços de liberdade que se abriram nessa noite valem bem todos os cafés do mundo que perdemos."

de Francisco Seixas da Costa, domingo, 25 de Abril de 2004 in http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/

Foram dias foram anos a esperar por um só dia...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Club Militar de Macau

Era no Club Militar que se reuniam os oficiais em comissão de serviço, funcionarios publicos, expatriados e macaenses,  médicos e padres. Não era raro ver, também, um ou outro "aventureiro" em escala mais ou menos prolongada em Macau.

Ali se faziam grandes festas, jantares, casamentos, chás (para as esposas), batizados, comunhões, enfim, tudo o que se pudesse festejar ou comemorar era no Club Militar. O dress code  era de rigor para jantares de gala e bailes. Lembro-me do meu pai de smoking e da minha mãe de vestido comprido dançarem o "In The Mood" de Glenn Miller. Foi lá que me apaixonei loucamente por Pat Boone e Elvis Presley

sábado, 17 de abril de 2010

O Capitão Oneto

A fortaleza da Taipa


Fomos viver para a Taipa quando o meu Pai foi nomeado comandante do quartel que ficava dentro da Fortaleza. Muitos dos "tropas" que prestavam serviço militar em Macau eram angolanos ou moçambicanos e eram quase todos "impedidos" ao serviço dos oficiais. Na casa da Taipa havia uns quatro ou cinco. O que nos deixou melhores recordações foi o Sabonete, o nosso motorista. Era muito grande e andava sempre de luvas brancas. Conduzía-nos no velho Land-Rover ao cais, que ficava perto da fortaleza, onde apanhavamos a lancha que nos levava para Macau. Tenho muita pena de não ter uma fotografia do Sabonete.

Taipa - Macau -Taipa


As idas e voltas a Macau eram feitas de lancha



terça-feira, 13 de abril de 2010

Chegada à Taipa

No jardim

A Mãe
Os cinco irmãos e a Zinha (uma amiga nossa que andava sempre de vestido e sapatos imaculados). Excepto o António que tem os sapatos de ir à caça às cobras, temos todos calçados sandálias de pele de camelo compradas em Port Said numa escala do "Timor". Estas sandálias duraram anos. As minhas, quando me deixaram de servir, ainda fizeram muitos kilómetros nos pés do António!

domingo, 28 de março de 2010

A Casa da Taipa

Antes de serem  "casas-museu", as casas coloniais da Taipa eram como se pode ver nesta fotografia tirada em  1978. As manchas escuras da humidade e os vasos com flores na varanda parecem ser os mesmos que la estavam 20 anos antes! A sala, a casa de jantar, os quartos eram enormes. Tudo era grande! Dormíamos com as janelas abertas e havia mosquiteiros em cada cama. O Pai ía todas as noites dar-nos um beijinho e certificar-se que estávamos bem cobertos.
Em frente às casas havia uma praia de areia cinzenta (nesta fotografia vê-se que a praia entretanto desapareceu).
As árvores seculares que bordavam a Avenida da Praia ainda lá estão.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Casas-Museu da Taipa

Avenida da Praia, Taipa

"A Associação de Classificação das Oito Paisagens de Macau seleccionou o conjunto constituído pelas Casas-Museu da Taipa, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e a Biblioteca do Carmo com os jardins que lhe estão adjacentes. Esta área forma uma das oito paisagens mais características de Macau. As Casas-Museu da Taipa representam moradias típicas características da Arquitectura Macaense de matriz portuguesa. Em tom esverdeado, são consideradas uma das relíquias patrimoniais e culturais das Ilhas.

Foram construídas em 1921 para residência dos funcionários superiores das Ilhas, oriundos de famílias macaenses. Na década de 80, os Serviços de Turismo de Macau recuperaram-nas e, em finais dos anos 90, foram alvo de profundas obras de restauro devido ao seu valor arquitectónico e transformdas nos seguinte espaços museológicos: Casa Macaense, Casa das Ilhas, Casa das Regiões de Portugal, Casa para Exposições e Casa de Recepções. As Casas-Museu da Taipa foram inauguradas em 5 de Dezembro de 1999 sendo, actualmente, administradas pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.

Casa Macaense

Trata-se de uma das moradias típicas, de estilo colonial, existentes em Macau, que recorda aos visitantes uma época de certo fulgor luso caracterizada pela frequente afluência ao território de visitantes ilustres ingleses, manchus, mandarins e de comerciantes. Percorrendo a casa, os visitantes podem apreciar o modo como viviam as famílias macaenses de outrora. Mobílias, objectos e decoração característica do início do século XX provêm quer do recheio de casas habitadas em tempos por residentes de Macau, quer de réplicas de objectos originais.

Casa das Ilhas

A Casa das Ilhas é o único museu que mostra a fisionomia e a História das ilhas da Taipa e Coloane. Através dos vestígios históricos, figuras e materiais bibliográficos em exposição, os turistas e residentes podem rever o passado e viver a actualidade das Ilhas o que, com agrado, tem vindo, desde 5 de Dezembro de 1999, a ser salientado pelos muitos visitantes que a procuram.

Os dez temas que mostra espelham as características mais destacadas da sua fisionomia, arqueologia, desenvolvimento histórico, vida actual da população, história dos transportes, templos, construções portuguesas, comida tradicional, desenvolvimento das grandes construções, actividades recreativas e recintos lúdicos, tudo pondo em relevo a História e a realidade actual das Ilhas.

Casa das Regiões de Portugal*

A terceira destas vivendas de dois pisos, que contém trajes típicos de diferentes Regiões de Portugal, mostra aos visitantes a forma de vida e modo de vestir das suas populações. No 2°andar, há dois televisores que transmitem programas de vídeo alusivos ao tema.

Casa de Exposições

Serve de galeria de exposições de arte dos mais diversos tipos, com uma peridiocidade relativamente curta, albergando fotografia, pintura ocidental, cerâmica e vidro, escultura, etc.. Até agora convidaram-se para aí expor, inúmeros artistas locais e do exterior, como de Shangai, Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Polónia e México, com a perspectiva de se dar continuidade ao projecto e se trazerem cada vez mais exposições de fora ao Território.

Casa de Recepções

A quinta moradia, também de dois pisos, destina-se a recepções privadas ou oficiais e actividades culturais ou festivais de culinária.

Com o objectivo de realçar, por um lado, a típicidade da Avenida da Praia e de servir, por outro, o interesse dos turistas, foram aí colocados uma pérgula e um quiosque para que os visitantes possam gozar e apreciar a paisagem que envolve este romântico espaço. Alem disso, em frente de Casa de Recepções foi construído um anfiteatro aberto onde têm vindo a realizar-se diversos espectáculos populares, tais como as Festas do Ano Novo Lunar (Fevereiro), o Dia Internacional dos Museus (18 de Maio), a Festa da Flor de Lótus (Junho), a Festa do Bolo Lunar (Setembro) e a Festa da Lusofonia (Outubro)."
in Direção dos Serviços de Turismo de Macau
* foto de Nico. Foi nesta casa que vivemos de 1954 a 1958

O Centro Histórico de Macau

Na 29ª Sessão do Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), realizada em 15 de Julho de 2005, "O Centro Histórico de Macau" foi inscrito com êxito na Lista do Património Mundial, tornando-se no 31º sítio designado como Património Mundial da China.

O Centro Histórico de Macau é uma área urbana centrada em volta da velha cidade de Macau; inclui oito praças, nomeadamente o Largo da Barra, o Largo do Lilau, o Largo de Santo Agostinho, o Largo do Senado, o Largo da Sé, o Largo de S. Domingos, o Largo da Companhia de Jesus e o Largo de Camões e 22 monumentos históricos que compreendem o Templo de A-Má, o Quartel dos Mouros, a Casa do Mandarim, a Igreja de S. Lourenço, a Igreja e Seminário de S. José, o Teatro Dom Pedro V, a Biblioteca Sir Robert Ho Tung, a Igreja de Santo Agostinho, o Edifício do Leal Senado, o Templo Sam Kai Vui Kun, a Santa Casa da Misericódia, a Igreja da Sé, a Casa de Lou Kau, a Igreja de S. Domingos, as Ruínas de S. Paulo, o Templo da Na Tcha, a Secçaõ das Antigas Muralhas da Defesa, a Fortaleza do Monte, a Igreja de Santo António, a Casa Garden, o Cemitério Protestante e a Fortaleza da Guia (incluindo a Capela e Farol da Guia). Esta lista inclui não apenas os vestígios arqueológicos da primeira universidade de modelo ocidental do Extremo Oriente, o Colégio de S. Paulo, edifícios que ainda funcionam de acordo com os seus fins originais, tais como o primeiro teatro de estilo ocidental e o primeiro farol moderno na China, mas também exemplos de residências de mercadores dos finais da dinastia Qing.

O Centro Histórico de Macau é o produto do intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente ao longo de mais de 400 anos, e é presentemente o mais antigo, o mais completo e o mais bem consolidado conjunto arquitectónico de raiz europeia que se mantém intacto em solo chinês."
In Direção dos Serviços de Turismo de Macau

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Rickshaws de Macau


O Bébé e eu radiantes!

Muitos dos rickshaws dos anos 50 eram puxados por chineses muito magros e eram tão coloridos e confortáveis como os modernos de bicicleta que ainda se vêem. 

A casa de Macau

Tenho una vaga ideia da nossa casa da Estrada da Vitória mas lembro-me muito bem dos tufões (do chinês tai-fung) que por là passaram! Voava tudo até as cadeiras em ferro do jardim! As enormes árvores de cânfora que bordavam a casa, partiam-se ao meio deixando um cheiro que tanto gosto e que ainda hoje guardo. Também me lembro muito bem dos casacos de seda muito quentinhos que a Isabel e eu temos vestidos (a foto está muito estragada mas é a única que tenho). O meu era verde e o da minha irmã amarelo. Estes casacos foram a única chinesice que tivemos!

Macau (5) Aniversários

Nesse 8 de Maio de 1953 festejaram-se três aniversàrios d(a)os noss(a)os amig(a)os do colégio. Dois fizeram 2 anos e o terceiro 3. O meu irmão António (o primeiro à esquerda) tinha feito 3 anos no dia 5. O Bébé (no fundo à direita e ainda ao colo) não tinha ainda 1 ano. A minha irmã Isabel e eu (que ia festejar os meus 4 anos no dia 16) andávamos sempre vestidas de igual. Mais tarde, bem tentámos protestar e apesar das "cenas incríveis" que eu fazia, andàmos, até aos 10 anos, sempre de igual.

Macau (4) Santa Rosa de Lima

O colégio de freiras das "elites" de Macau. Ao fundo, o Hospital de São Januário onde nasceu o Luís. Mas Macau era também o que se pode ver aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O "chinês"

A Mãe e o Luís
O Luis nasceu a 9 de Junho de 1953 com 4,6Kg ! Foi e é o mais "forte" dos cinco.

O Pai e o Luís nos jardins da casa de Macau

domingo, 17 de janeiro de 2010

Macau (3)

25 de Outubro de 1953
Duas celebrações : baptizado do meu irmão Luis (com 4 meses) e os 30 anos do Pai. O Luis foi o ultimo filho que os pais tiveram. O Pai gostaria de ter muitos mais. A Mãe não. Cinco filhos em menos de 7 anos!

Macau (2) em 1952

Leal Senado. O meu pai é o primeiro a contar da esquerda
 
Estas devem ser as primeiras fotografías do meu Pai (fato e oculos escuros e meias brancas...) em Macau.

Macau

Em 1952, "em cima" dos acidentes das Portas do Cerco, fomos viver para Macau onde o meu pai fora colocado em comissão militar.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Açores

Um pai orgulhoso!
Não me lembro absolutamente nada da nossa estadia nos Açores onde, em Julho de 1951, nasceu o meu irmão Joaquim Humberto, o 'Bébé'. Talvez por ter sido o filho mais difícil a alimentar, o mais lento a começar a andar, o mais "esquesito" mas de longe o mais "esperto" dos irmãos, o bébé ficou Bébé até hoje! A Mãe dizia que ele tinha todas as características dos ilhéus...