Manuel Tito de Morais – 1910-1999
retrato da autoria de Pinheiro de Santa Maria
Comemoração do centenário do nascimento de Manuel Tito de Morais.
"Manuel Tito de Morais deu os primeiros passos no rescaldo da implantação da República em 1910, um momento histórico para o qual o seu pai muito contribuiu, ao bombardear o Palácio das Necessidades e provocar a fuga da família real. E a verdade é que os valores que nortearam a implantação da República – liberdade, igualdade, fraternidade – serviram de inspiração à longa vida de Tito de Morais.
Desde muito jovem que se manifestou contra a ditadura, sendo desde logo uma voz dissonante e contra a corrente. Por isso foi perseguido, preso, torturado (...).
Viveu em Angola, onde conheceu o lado mais violento do regime. Seguiram-se os exílios no Brasil, em Argel e em Itália. Foi alvo de uma tentativa de emboscada que lhe poderia ter custado a vida. Liderou importantes movimentos de oposição ao regime a partir do exterior. E sem nunca desistir, conseguiu impor a sua visão: criar um Partido Socialista.
A liberdade por que tanto lutou chegou finalmente quando tinha 64 anos. Regressou do exílio no célebre “comboio da liberdade” com os seus companheiros de luta Mário Soares e Ramos da Costa (e Fernando Oneto). Quando parecia que já não havia mais nada para fazer, arregaçou as mangas e dedicou-se à organização do Partido na legalidade. Vieram as conquistas da democracia e da liberdade mas também as divergências. Foi Secretário de Estado e Presidente da Assembleia da República mas nunca se deixou corromper pelo deslumbre do poder. Renunciou a deputado quando a orientação do Partido não era a que ele defendia e manifestou-se contra as coligações no governo. (...)
Intransigente e teimoso, diz quem o conheceu que Manuel Tito de Morais era de antes quebrar que torcer." Sinopse do Documentário Manuel Tito de Morais – Antes Quebrar que Torcer transmitito pela RTP 2 no passado 28 de Junho, no ambito das Comemorações do centenário do nascimento de Manuel Tito de Morais.
Em tempo: Ontem, 7 de Julho, tive a sorte de ver na RTP Internacional esse documentário.
Familiares e amigos, alguns dos quais velhos companheiros de luta anti-fascista, são unânimes quando se referem à integridade, combatividade e perseverança que caracterizaram a vida do fundador do Portugal Socialista e, mais tarde, da ASP (com Mário Soares e Ramos da Costa). Tito, como lhe chamávamos, era um homem honesto, fiel aos ideais que sempre defendeu e que em nenhuma circunstância traiu. O documentário acaba quando lhe perguntam se ele estava satisfeito com o Partido Socialista e Tito, velho, mas lúcido como sempre, responde não!
No entanto, em Abril de 1991, numa entrevista a Maria José Gama, Tito de Morais confessou que nessa altura já não tinha projectos próprios para o futuro, mas acrescentou:
"Estou confiante. Os ideais que nos nortearam e se mantiveram firmes durante estas décadas de luta pela Liberdade continuarão a ser o rumo do Partido Socialista. Os Partidos Socialistas continuarão a ser o motor das transformações sociais que se impõem, para que o Homem sinta alegria em viver e para que a Justiça, a Verdade, a Dignidade, bem como o Progresso sejam uma realidade, não um mito, nem um slogan".
Tive a honra de conhecer Manuel Tito de Morais em Novembro de 1972 quando ele visitou os companheiros da ASP de Londres. Recebi-o com muita simplicidade no meu flat onde passámos longas horas a falar e sonhar de liberdade. Lembro-me dos olhos verdes brilhantes do lutador anti-fascista, da sua determinação e coragem. Manuel Tito de Morais foi um homem admirável! O seu nome ficará para sempre ligado à História da Democracia em Portugal.
Pouco depois do nosso encontro em Londres, recebi esta carta do Tito: (clique na imagem para a ampliar)
Hermínio da Palma Inácio, Maria de Jesus Barroso e Manuel Tito de Morais, no 1° de Maio de 1974. Como eles, nesse memorável dia, acreditei que em Portugal a Justiça, a Verdade e a Dignidade seriam uma realidade. Hoje, mais que nunca, chego à conclusão que esse Portugal tão sonhado não existe.











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