terça-feira, 26 de outubro de 2010

Memória


Foi no "Procópio" há pouco mais de treze anos.
Contou-me o "Profundis" que o surpreendeu e como voltou, em valsa lenta, à vida. "Devo-a ao Professor João Lobo Antunes e a uma aspirina por dia!" e falou com admiração do irmão do António, do "Lisboa, livro de bordo", da vida, e da dificuldade em escrever "sem cigarros e sem whisky". "Porra! sem os dois é-me impossível" disse tirando do bolso um maço de JPS. "Quando bebo, não fumo, mas tenho sempre cigarros comigo".
Bebemos mais um "Famous Grouse". Foi a última vez que vi o .

domingo, 24 de outubro de 2010

Comemorações do centenário da República

"Um século depois do 5 de Outubro é tempo de reflectir sobre a herança cívica, democrática e cultural deixada pelos pioneiros republicanos e depois cimentada por décadas de luta e resistência, até ao seu pleno florescimento e maturação."


Uma boa parte das minhas férias este verão em Portugal passei-as a ver exposições. Em Lisboa, tive a sorte de ver no MAA a magnífica exposição "A invenção da Glória,  D. Afonso V e as tapeçarias de Pastrana" e  três exposições interessantíssimas dedicadas às comemorações do centenário da Répública, "Viajar", "Viva a República"  e "Povo". Gostei muito e aprendi imenso com todas.

Apesar do acesso às exposições comemorativas do centenário da República ser livre, estranhei sermos só duas pessoas no dia 7 de Setembro às 17h a ver a exposição "Viva a República".

Acabo de ler no jornal "O Público" com data de 5 de Outubro, um interessante artigo: "Celebrações originam correspondência com a actualidade - Sabemos mais hoje sobre a Primeira República? Não" que termina assim: "Olhando para o programa das festas, Villaverde Cabral diz que "têm sido um pouco um fiasco, com pouco impacto na população". E remata: "Em Portugal há pouca memória e, como diz José Gil, pouca inscrição."" ...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Interrogações


"Andava eu por aí preocupado com o orçamento, a crise, o déficite, o crédito mal parado... Ouço programas na televisão que vivem da crise, para a crise, pela crise... Recebo 200 anedotas por dia sobre a crise... Vejo criar-se à minha volta uma indústria de crise: os low-costs, os low-comes, os low-bebes, os low-minds... Tudo crise, tudo para deitar abaixo, para vergar, para nos humilhar. Pergunto. Onde está gente que pense Portugal? Porque nos deixámos vergar ao império dos consultores americanos? Porque não temos voz para espantar a Europa dos "nowhere men"? Onde está a mística portuguesa? Onde vamos parar?

Poderão achar contraditório estas interrogações, já que sou um federalista convicto. Mas, a verdade é que não está a funcionar. Desde que o Reino Unido entregou os pontos ao Eixo e que a Espanha perdeu a embalagem, somos servos da gleba, escravos da dívida, hipotecários do défite europeu. Como já não há mundo para descobrir, sugiro que cada um descubra o mundo que existe em todos nós. Talvez o mundo nos ganhe e nós ganhemos outro mundo." in "expressodalinha"

terça-feira, 19 de outubro de 2010

To share


Banks Shared Clients’ Profits, but Not Losses
Se não tiver pachorra para ler o enorme artigo do New York Times, veja o video.

sábado, 16 de outubro de 2010

Le banquet de la faim


Le "banquet de la faim", organisé samedi au Champ de Mars à Paris pour rappeler, à l'occasion de la Journée mondiale de l'alimentation, que 10.000 enfants meurent chaque jour dans le monde de malnutrition.

"Des assiettes vides sur des nappes noires déroulées à même le sol"...


"A permanência da fome no mundo tornou-se-nos banal, mas a sua existência continuada é absolutamente imoral. O sociólogo suiço Jean Ziegler, que foi Relator Especial da ONU para o problema da fome, desmontou a infame "doutrina da escassez organizada" que sustenta a hipocrisia das relações internacionais e as exigências do comércio, das trocas, dos negócios. Se puxarmos pelo argumento, compreenderemos melhor a soteriologia dos economistas e a conversão da teologia em doutrina mercantil, corporificando os "mercados" (as tais entidades que podem estar calmas ou nervosas, expectantes ou agitadas...) um "espírito" cuja situação de equilíbrio decorre das leis da oferta e da procura. Ultimamente tem sido por demais... a reactividade e os "sinais" dos ditos mercados estão suspensos na aprovação do orçamento. Os especuladores estão a fazer as suas apostas. Perdas ou ganhos, à margem de qualquer consideração moral."  dixit Francisco Oneto

A propósito de arquite(c)tura - 3





No templo do livro

A propósito de arquite(c)tura - 2







A casa da música

A propósito de arquite(c)tura -1

 Serralves

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

BB

 ["Puisque vous faites le contraire de ce que vous dites et que vos ministres cachent la vérité aux Français (sur l'absence de loi rendant obligatoire l'étourdissement des animaux lors d'un abattage halal), je vais étudier la proposition de l'Alliance écologiste indépendante d'être leur candidate pour les élections présidentielles de 2012", écrit Brigitte Bardot, 76 ans depuis le 28 septembre "Il faut bien qu'une voix se lève pour défendre les animaux puisque tout le monde, à droite comme à gauche, s'en fout !", ajoute-t-elle]. in "Le Monde" de hoje.

Après tout... pourquoi pas?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

La faim dans le monde


"La faim dans le monde touche un milliard de personnes et prend des proportions inquiétantes dans près d'une trentaine de pays, selon un rapport de l'Institut international de recherche sur les politiques alimentaires (IFPRI), publié lundi 11 octobre.
...
L'indice mesurant la faim dans le monde est calculé à partir de trois indicateurs : la proportion de la population sous-alimentée, l'insuffisance pondérale infantile et le taux de mortalité infantile. L'indice classe les pays sur une échelle de 0 à 100, 100 représentant le pire. Selon cet indice, la faim atteint un niveau "alarmant" à partir de 20 et "extrêmement préoccupant" à partir de 30. A l'exception de Haïti et du Yemen, tous les pays dans lesquels cet indice a atteint un niveau "alarmant" se trouvent en Afrique sub-saharienne et en Asie du Sud.
Les 25 pays où la situation est "alarmante" sont, par ordre de gravité croissant, le Népal, la Tanzanie, le Cambodge, le Soudan, le Zimbabwe, le Burkina Faso, le Togo, la Guinée-Bissau, le Rwanda, Djibouti, le Mozambique, l'Inde, le Bangladesh, le Liberia, la Zambie, le Timor oriental, le Niger, l'Angola, le Yemen, la République centrafricaine, Madagascar, les Comores, Haïti, la Sierra Leone et l'Ethiopie." in "Le Monde" de hoje

4 ex-colónias portuguesas em situação alarmante a começar por Angola! Para onde vai o produto da venda do petróleo angolano?
Porquê tanta miséria?

sábado, 9 de outubro de 2010

L'Elysée côté jardin

"Il est 17h37, vendredi 7 octobre. Ni Nicolas Sarkozy ni François Fillon n’ont réagi au choix du prix Nobel de la paix, le dissident chinois emprisonné Liu Xiaobo.
La nouvelle pourtant est tombée à 11h03 sur l’AFP.

Le ministre des affaires étrangères Bernard Kouchner a demandé sa libération à 12h13 dans un bref communiqué.
.....
La France attend une visite d’Etat que doit effectuer début novembre le président chinois Hu Jintao et compte sur la Chine pour réussir, à partir du 12 novembre, sa présidence du G20 qui rassemble les principales puissances de la planète.
....
Samedi vers 11h30, ce post était toujours valable." 
in l'Elysée côté jardin

Homenagem a Zeca Afonso


EXPOSITIONS / Entrées Libres
Du 15 au 17 octobre : « José Afonso, troubadour, poète et chanteur »
en partenariat avec l’association Memòria Viva
Cet artiste a marqué la musique populaire, et l’histoire du Portugal, par la qualité de ses chants, ses recherches musicales, son engagement pour une société plus solidaire, plus juste. Recueil de la mémoire de l'émigration/immigration portugaise en France au service du lien social, culturel et interculturel.
Vendredi 15 octobre / 18h30 : Visites guidées
Samedi 16 octobre / 16h00 : Vernissage de l’exposition
Concerts gratuits :
Vendredi 15 octobre / 19h30 : Marcia Santos compose avec la guitare et la voix des textes poétiques et mélodiques.
20h30 : Lulendo opte pour une musique afro-lusophone soutenant des textes narrant les maux de l’Angola.
Samedi 16 octobre / 17h30 : Conférence du musicologue Antonio de Sousa Dias sur l’influence de José Afonso dans la musique portugaise.
19h00 : Francisco Fanhais, chanteur engagé portugais, grande figure de la Révolution des Œillets de 1974.
Aubervilliers, Espace Renaudie


Vem e
Traz Outro Amigo Também
(José Afonso)
Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

Traz Outro Amigo Também
Orfeu STAT 005
1970, LP-33 rpm
Edição Arnaldo Trindade & Cª. Lda, Porto
Capa: José Santa-Bárbara
Músicos: Carlos Correia (Bóris), colaboração de Filipe Colaço

1 - Traz Outro Amigo Também (José Afonso)
2 - Maria Faia (Moda da Azeitona - Malpica, Beira-Baixa/José Afonso)
3 - Canto Moço (José Afonso)
4 - Epígrafe para a Arte de Furtar (Jorge de Sena/ José Afonso)
5 - Moda do Entrudo (José Afonso)
6 - Os Eunucos (No Reino da Etiópia) (José Afonso)
7 - Avenida de Angola (José Afonso)
8 - Canção do Desterro (Emigrantes) (José Afonso)
9 - Verdes São os Campos (Luís de Camões/José Afonso)
10 - Carta a Miguel Djéje (José Afonso)
11 - Cantiga do Monte (José Afonso)
 
"No texto de apresentação deste álbum, Bernardo Santareno realçava a 'pureza' como 'a nota maior' da arte de Zeca. Pureza é, de facto, a palavra exacta para definir este disco, um imenso poema de fraternidade a que não falta a raiva de quem se sabe cercado. Uma raiva que tem a sua expressão mais evidente nas in­terpretações de Os eunucos (cuidadosamente subintitulada No reino da Etiópia. numa tentativa de dar a volta às malhas apertadas da censura) e do soberbo e angustiante poema de Jorge de Sena, Epígrafe para A Arte de Furtar. Gravado nos estúdios da Pye, em Londres, no ano de 1970, Traz Outro Amigo Também não pôde contar com a participação de Rui Pato, entretanto mobilizado para a tropa e com o passaporte apreendido pela PIDE. Em seu lugar estão Carlos Correia (Boris) e Filipe Colaço. As referências a África surgem, pela primeira vez, no trabalho de Zeca (em Avenida de Angola e Carta a Miguel Djéje), a par de temas como a emigração e o exílio (Canção do desterro), de canções populares (Maria Faia e Moda do Entrudo) e de uma nova viagem pelos domínios camonianos (Verdes são os campos). Incómodo e belíssimo, Traz outro amigo também assume-se como um disco de grande maturidade, através do qual, se dúvidas ainda restassem, se tornava claro que já tudo era diferente na música portuguesa..."
Viriato Teles
in Associação Zeca Afonso

Crónica


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Surprise...

["C’était celui qu’on n’attendait plus. Celui qui fut si souvent et si longtemps cité commé nobélisable qu’on le disait écarté. Celui dont on ne parlait plus guère à Stockholm en raison de sa réputation d’homme de droite, mal portée ces derniers temps dans les sphères littéraires. Celui qui a reçu tant de prix littéraires et de doctorats honoris causa ces dix dernières années, en Espagne, en Amérique latine et ailleurs, qu’on les imaginait dissuasifs vis à vis des académiciens suédois".... ] in "La république des livres"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

VIVA A REPUBLICA!

Dignidade


"O que Portugal necessita é de mais justiça social e justiça económica. Enquanto cidadão e candidato a Presidente da Republica peço ao Governo que reconsidere as medidas mais gravosas da proposta do Orçamento do Estado que atingem as famílias portuguesas e em particular os mais desprotegidos, as crianças, os reformados e os desempregados. Peço que reconsiderem em nome da solidariedade e do mais básico sentimento humanitário as medidas que atingirão sem clemência os já 40% de portugueses que vivem na pobreza ou no limiar da pobreza. Peço em nome da decência, que recordem que por detrás de cada décima estão seres humanos, por detrás de cada percentagem estão vidas e sonhos. Espero que os partidos representados na Assembleia da República trabalhem para encontrar um bom Orçamento que considere não só a conjuntura internacional mas também a realidade nacional. Um bom orçamento é o que não hipoteca o futuro."

domingo, 3 de outubro de 2010

Um homem do Povo

Foto copiada do "Le Monde" de hoje

Romeo


Ao acordar de uma "nuit blanche", tive o prazer de conhecer a última aquisição da familia Oneto: Romeo, 6 semanas, adoptado ontem pela minha filha Joana.
A Marisol tem um gémio!

sábado, 2 de outubro de 2010

nuit blanche

nuit blanche (2) - RESPUBLICA


"Aveuglantes, des lettres d’ampoules LED se détachent dans l’obscurité du parking de l’Alma et épellent le mot latin respublica, soit littéralement « chose publique ». Revenant à l’étymologie du mot république, l’artiste interroge notre mode de gouvernance actuel et s’amuse à appliquer la définition à la lettre, faisant d’un vaste concept un simple objet placé dans l’espace public. Mise à distance tautologique, sous le signe de l’humour et de la réflexion, l’oeuvre poursuit, après l'exposition Dynasty au Musée d'Art moderne de la Ville de Paris, son itinérance avec Nuit Blanche."



"Né en 1976, Nicolas Milhé est un jeune artiste français qui, par des interventions minimales, pratique un art de la perturbation à connotation politique. Intervenant surtout dans l’espace public, il joue sur le double registre du détournement et de l’humour, frisant parfois le canular. Qu’il dresse une cartographie des paradis fiscaux installés en pleine mer (Paradise, 2003), qu’il modifie les drapeaux des pays membres du G8 pour gommer les rapports de dominance (G8, 2006), ou reprenne la structure du mur séparant israël de la Cisjordanie pour interroger la notion de frontière, ses oeuvres traitent des questions cruciales de notre temps."

nuit blanche (3) - APOLITICO


"Sur le trottoir de la place du Trocadéro, face au parvis des Libertés et des Droits de l’Homme, des drapeaux de différents pays du monde flottent en haut de leurs mâts comme pour un sommet politique mondial. L’artiste en a supprimé toutes les couleurs, ne conservant que le dessin et le graphisme, rendus en noir et blanc et dans différentes tonalités de gris. Une curieuse impression de nivellement et de brouillage s’ensuit. Gommant les différences entre les symboles nationaux, Apolitico, 2001 véhicule un message multiple : appel pacifiste ou commentaire sur les effets de la mondialisation"

"Artiste cubain né en 1978, Wilfredo Prieto partage aujourd’hui son temps entre Barcelone et La Havane. Son travail repose sur le détournement, la modification ou la recontextualisation d’objets qui prennent par là-même un nouveau sens. Le contenu volontiers politique de ses œuvres reste toujours subtil, vaste et universel, appelant à la réflexion sur les formes d’oppression et de normalisation, les rapports de force et de domination. Très en vue sur la scène internationale, il participe notamment en 2007, à la 52e Biennale de Venise avec Sans titre (Bibliothèque blanche) (2004), une salle de bibliothèque où tous les livres présentent des pages immaculées. La disparition du texte devient la métaphore de l’effacement du savoir, de l’histoire et de la mémoire."