segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O sonho


Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas
leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

Por este rio acima
Os barcos vão pintados
De muitas pinturas
Descrevem varandas
E os cabelos de Inês
Desenham memórias
Ao longo da água
Bosques enfeitiçados
Soutos laranjeiras
Campinas de trigo
Amores repartidos
Afagam as dores
Quando são sentidos
Monstros adormecidos
Na esfera do fogo
Como nasce a paz
Por este rio acima

Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei
Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também
Que eu também
meu bem

Por este rio acima
isto que é de uns
Também é de outros
Não é mais nem menos
Nascidos foram todos
Do suor da fêmea
Do calor do macho
Aquilo que uns tratam
Não hão-de tratar
Outros de outra coisa
Pois o que vende o fresco
Não vende o salgado
Nem também o seco
Na terra em harmonia
Perfeita e suave
das margens do rio
Por este rio acima

Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei
Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também
Que eu também
meu bem

Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas
leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima


Fausto


O sonho esteve tão perto! e deixámo-lo fugir!

domingo, 19 de janeiro de 2014

La quintessence de l'Art


«Devouring Time, blunt thou the lion’s paws,
And make the earth devour her own sweet brood;
Pluck the keen teeth from the fierce tiger’s jaws,
And burn the long-lived phoenix in her blood;»
(W. Shakespeare, Sonnet no. 19)


"Sulla bellezza da sempre aleggiano le nubi del destino e del tempo divoratore. La bellezza è cantata, raffigurata e descritta fin dall’antichità come l’attimo fuggente della felicità e della pienezza della vita inesauribile, fin dall’inizio destinata ad un epilogo tragico e salvifico.

In questa interpretazione di Rino Stefano Tagliafierro la bellezza è riportata alla forza espressiva di un gesto che egli scaturisce dall’immobilità del quadro, animando un sentimento sottraendolo alla fissità museale. Come se in quelle immagini che la storia dell’arte ci ha consegnato fosse congelato un movimento che l’oggi può rivitalizzare grazie al fuoco dell’inventiva digitale.
Una serie ben congegnata di immagini della più bella tradizione pittorica (dal rinascimento al simbolismo di fine ottocento, passando per il manierismo, il paesaggismo, il romanticismo e il neoclassicismo) sono accostate secondo un’intenzione che rintraccia il sentimento sotto il velo delle apparenze. Un’ispirazione che ci restituisce il senso di una caducità e della brevità esistenziale che l’autore interpreta con la dignità tragica di uno sguardo disincantato, capace di cogliere il senso profondo di un’immagine. 
La bellezza in questa interpretazione è la compagna silenziosa della vita che inesorabilmente procede dal sorriso del bambino, attraverso l’estasi erotica, verso la smorfia di dolore che chiude un ciclo destinato a ripetersi all’infinito.
Significativi, da questo punto di vista, sono l’incipit di un’alba romantica nel cui cielo volano grossi uccelli neri e il finale del tramonto romantico con rovine gotiche che compie l’opera del tempo che fugge."
Giuliano Corti 


NB: A casa agradece este vídeo a Francisco Seixas da Costa

sábado, 18 de janeiro de 2014

"Sim Carolina ó-í-ó-ai, sim Carolina ó-ai meu bem"...



Descobri, por mero acaso, esta pérola da propaganda fascista em Portugal. Pergunto como é possivel haver, hoje, saudosistas desses tempos que marcaram as paginas mais negras da nossa e da Historia da Humanidade.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Félicitations Tim Tim!


Poeta e embaixador à plein temps, Luis Filipe Castro Mendes se donne à coeur joie, à nous faire rire pas bête, no famoso Tim Tim no Tibete.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

sábado, 11 de janeiro de 2014

Idiossincrasias




"Hu!
Italy is infected
with too many parasites
which are friends of friends of friends
incompetent and spineless lazybones

conveniently settled there
by those politicians who help who votes for them
and not who is worthy

crushing worthiness, praising evil
because theft, instead of fairness, gets the best
because the good, instead of the sly, gets the s***

and the brains emigrate ... the brains flee
there's only one thing left and that's meritocracy
praising skills and not the crap

They settle all the sly, absolute fiascos, in the best places
ready to kiss their a*** and crack things up
and when factories blow up
they get more bonuses and another chair.
it's them ruling, it's them squandering money
but when the public debt goes up it's always you paying
and they blabber on in front of a tv camera
pretending to fight and sending the audience up

and so the brains emigrate ... the brains flee
there's only one thing left and that's meritocracy
defeated and annihilated by burocracy

A thousand-headed monster packed with bullshit,
numbers, codicils and catch 22
to overwhelm students and workers
where something as easy as ... joining "a" and "b"
screws you up and makes you go this way

thousands and thousands sitting there stamping
with their nice steady job and time to waste
they cost us heaps but they are untouchable.

and the brains emigrate ... the brains flee
there's only one thing left and that's meritocracy
about which our great politicians don't have a clue

They tax you to the bone, they squeeze out your soul, they suck out your soul
but most of your money goes into black holes
financing political parties and entire lifetime annuities
they feed up the corrupt who live on bribery
their friends are safe, the foxes are safe
they disregard the law and do what they like
but if you just slip up a bit, they'll hang you
it's them robbing you, but it's always you paying

and the brains emigrate ... the brains flee
there's only one thing left and that's meritocracy
let's dig the sly outand let's sweep them out

We have plenties of brains, we can't wait
let's dislodge all shirkers... and let's clean up Italy".
MERITOCRAZIA - Bruno Bozzetto

Du sable

Ces trois dernières années se ressemblent. Elles finissent comme les vagues avec des hauts et des bas. L'écume les balayent en un clein d'oeil et tout recommence à nouveau, pareil.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A eterna dívida d"'A Lanterna"



Numa ilha maravilhosa...


... e deserta, no meio do imenso oceano, após um terrível naufrágio, encontram-se as seguintes pessoas:

- dois italianos e uma italiana
- dois franceses e uma francesa
- dois alemães e uma alemã
- dois ingleses e uma inglesa
- dois búlgaros e uma búlgara
- dois japoneses e uma japonesa
- dois chineses e uma chinesa
- dois americanos e uma americana
- dois irlandeses e uma irlandesa
- dois portugueses e uma portuguesa

Passado um mês, nesta ilha absolutamente paradisíaca, no meio do nada, a situação era a  seguinte:

 - Um dos italianos matou o outro por causa da italiana;
 - Os dois franceses e a francesa vivem felizes juntos num ménage-à-trois;
 - Os dois alemães marcaram um horário rigoroso de visitas alternadas à alemã;
 - Os dois ingleses aguardam que alguém os apresente à inglesa;
 - Os dois búlgaros olharam longamente para o oceano, depois olharam longamente para a búlgara e começaram  a nadar;
- Os dois japoneses enviaram um fax para Tóquio e  aguardam instruções;
- Os dois chineses abriram uma farmácia/bar/restaurante/lavandaria e engravidaram a  chinesa para lhes fornecer empregados para a loja;
- Os dois americanos estão a equacionar as vantagens  do suicídio porque a americana só se queixa do seu  corpo, da verdadeira natureza do feminismo, de como  ela é capaz de fazer tudo o que eles fazem, da  necessidade de realização, da divisão de tarefas domésticas, das palmeiras e da areia que a fazem  parecer gorda, de como o seu último namorado  respeitava a opinião dela e a tratava melhor do que eles, de como a sua relação com a mãe tinha melhorado e de que, pelo menos, os impostos baixaram  e também não chove na ilha...
- Os dois irlandeses dividiram a ilha em Norte e Sul  e abriram uma destilaria. Não se lembram se o sexo  está no programa por ficar tudo um bocado embaciado  depois de alguns litros de whisky de coco. Mas estão satisfeitos porque, pelo menos, os ingleses não se estão a divertir...

- Quanto aos dois portugueses e á portuguesa que  também se encontram na ilha, até agora não se passou; nada porque resolveram constituir uma comissão encarregada de decidir qual dos dois homens seria autorizado a requerer por escrito o estabelecimento de contactos íntimos com a mulher.  Acontece que a comissão já vai na 17ª reunião e até agora ainda  nada decidiu, até porque falta ainda aprovar as actas das 5 últimas reuniões, sem o que o processo não  poderá andar para a frente. Vale ainda a pena  referir que, de todas as reuniões, 3 foram dedicadas  a eleger o presidente da comissão e respectivo assessor, 4 ficaram sem efeito dado ter-se chegado a conclusão que tinham sido violados alguns princípios do código de procedimento administrativo, 8 foram dedicadas a discutir e elaborar o regulamento de  funcionamento da comissão e 2 foram dedicadas a aprovar esse mesmo regulamento. É ainda de notar que muitas das reuniões não puderam ser realizadas ou concluídas, já que duas não continuaram por falta de quórum, uma ficou a meio em sinal de protesto pelo  agravamento das condições de vida e 5 coincidiram  com feriados ou dias de ponte...

sábado, 28 de dezembro de 2013

Datas que não se esquecem

Les amoureux de Peynet

Porque é o único casal amigo -da minha geração- que conheço que namora há 50 anos e festeja hoje* 40 anos!!! de casados, aqui fica uma singela homenagem ao amor! 

*os meus pais também se casaram num 28 de Dezmbro

Em tempo: Como disse a minha amiga Helena, é de ficar maravilhado!

domingo, 22 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Lawrence dos meus sonhos

Dava tudo, mas tudo, para passar mil e uma noite no deserto a contemplar este azul

Debonair


Peter O'Toole (1932-2013) the most charming, courteous, dashing, elegant, sprightly, well-bred, cultivated, gallant, gentlemanly, refined, sophisticated and extremely dazzling man has just left the stage. Farewell Lawrence!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Parabéns a Helena Sacadura Cabral

"Vida e Alma
Há hoje uma grande necessidade de reencontrar valores e emoções que a maioria de nós julgará perdidos. Não estão. Apenas se encontram adormecidos. Talvez por isso, começou a nascer em mim a vontade de repensá-los. Foi assim que surgiu este breviário dos sentimentos, um por cada dia do mês. 
Acredito que a sensação que me invade quando penso que tenho família, amor, amizade, saúde, casa e trabalho é muito próxima da que, julgo, será a da felicidade. E, quando me é dada a fabulosa possibilidade de ver dois netos crescer, devo estar muito perto de poder considerar-me uma mulher feliz! Será que não deveríamos todos, neste momento difícil para muitos, tentar requalificar as nossas prioridades, de modo a sentirmo-nos um pouco menos infelizes e vazios?
Espero que ao lerem este livro possam fazer a vossa própria viagem sentimental e persigam na busca incansável dos valores que quebram a espuma dos dias e são o esteio do nosso corpo e da nossa alma".
Os anos passam, os desgostos multiplicam-se mas a chama permanece intacta! Este é o grande segredo da minha querida amiga Helena Sacadura Cabral a quem desejo um feliz aniversário e um grande sucesso nesta viagem, que partilha conosco, em busca da felicidade.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nelson Mandela

Morreu Nelson Mandela e com ele os nossos melhores sonhos.



«Il disait qu'il n'était «ni un saint ni un prophète». Il déplorait qu'on le présente comme «une sorte de demi-dieu». Il insistait sur ses «erreurs», ses «insuffisances», ses «impatiences». Jusqu'au bout, tandis qu'on le fêtait à travers le monde, tandis que les Etats et les puissants lui tressaient des lauriers, lui dressaient des statues, lui décernaient des palmes et des récompenses, tandis qu'un peu partout on donnait son nom à des milliers d'écoles, d'universités, de rues, de places, de parcs et d'institutions diverses, jusqu'au bout il s'est voulu «un homme comme les autres, un pécheur qui essaie de s'améliorer».

"Ce n'était ni un messager de Dieu ni un ange descendu du ciel. Pas même un pacifiste. C'était un humain, issu de la noblesse d'Afrique, un fils de chef, né dans l'orbite des étoiles, élevé pour régner et commander. Mandela était un géant comme il en éclot moins d'un par siècle sur la planète. Il faudrait une bibliothèque entière pour restituer l'œuvre du personnage. Et des centaines d'ouvrages ont déjà été écrits à travers le monde sur le destin et la pensée de ce charismatique et énigmatique vieux sage". (...). Sa longue histoire, racontée dans Le Monde continue iciici et ici.
PS: En réponse au commentaire de mon amie Helena Sacadura Cabral, dont le vœux je partage, je ne peux m'abstraire de la dure réalité. Malgré le sacrifice de cet homme que nous admirons et que laissera son empreinte dans l'Histoire, la réalité de la vie de la majorité des noirs de l'Afrique du sud reste, hélas, à désirer comme on peut voire dans ce reportage de John Pilger (Journaliste australien, auteur notamment du livre Freedom, Next Time,ainsi que du documentaire Apartheid did not die)

NELSON MANDELA - Sa grandeur lui survivra, mais pas son héritage

domingo, 1 de dezembro de 2013

Dia da Autonomia da Pátria Portuguesa


"A Restauração da Independência é -ou antes, foi- um feriado comemorado em Portugal anualmente no dia 1 de Dezembro, para assinalar a recuperação da independência nacional face á Espanha no ano de 1640, que durante 60 anos ocupou o país e o oprimiu.
A morte de D. Sebastião (1557-1578) na batalha de Alcácer-Quibir, apesar da sucessão do Cardeal D. Henrique (1578-1580), deu origem a uma crise dinástica. Nas Cortes de Tomar de 1581, Filipe II de Espanha é aclamado rei de Portugal. Durante sessenta anos Portugal sofreu o domí­nio filipino. Foram três os reis espanhóis que governaram Portugal entre 1580 e 1640: Filipe I, Filipe II e Filipe III.
A capital do Império passou a ser Madrid e Portugal foi governado como uma Província espanhola.

O que levou á Restauração da Independência foi a instabilidade e a insatisfação que se notava em Portugal e o desrespeito dos privilégios nacionais que estava a provocar descontentamento. Os impostos aumentavam; a população empobrecia; os burgueses ficavam afectados nos seus interesses comerciais; a nobreza estava preocupada com a perda dos seus postos e rendimentos; e o Império Português era ameaçado por ingleses e holandeses perante o desinteresse dos governadores filipinos.

Assim, no dia 1 de Dezembro de 1640, um grupo de 40 fidalgos dirigiu-se ao Paço da Ribeira onde estavam a Duquesa de Mântua, regente de Portugal, e o seu Secretário, Miguel de Vasconcelos.
A Duquesa foi presa e o Secretário morto. Foi assim que Portugal recuperou a sua independência, sendo D. João IV,. Duque de Bragança, aclamado rei, com o cognome de “O Restaurador” dando iní­cio á quarta Dinastia – Dinastia de Bragança". in Feriados nacionais

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Dinosaurus II - "Outro homem que veio do nada"

ilustração de João Abel Manta

"Hoje em dia pode-se roubar tudo a um homem -até a morte. Rouba-se-lhe a morte com a mesma facilidade com que se lhe rouba a vida, a face ou a palavra, que são coisas mais que tudo inestimáveis"

José Cardoso Pires in "O Dinossauro Excelentissimo"

Renascença...

ilustração de João Abel Manta

"João Abel Manta é um artista de visão global, poliédrica, vejo-o em dimensão renascentista. Ele que me perdoe a lisonja, mas vejo-o. Por vezes tem para mim os vícios aristocráticos e individuais do espírito da Renascença, mas tem a imaginação, o rigor e a coragem que fazem a amplitude dos humanistas. Todas as técnicas e todas as expressões do nosso tempo o desafiam e lhe são dele enquanto traço e cor; toda a comunicação, todos os Media o provocam como partes duma exploração do homem global”.
José Cardoso Pires

Trinta e muitos anos depois

ilustração de João Abel Manta

Só mudaram as incógnitas...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Instituto de Odivelas


Concentração
PELA CONTINUIDADE do Instituto de Odivelas

"É nesta 6ª feira, 8 de novembro, entre as 13h30 e as 15h.

Apelamos a que Antigas Alunas do IO e Amigas e Amigos do IO venham mostrar a sua oposição ao despacho n.º 4785/MDN/2013, de 25 de março, do MDN que prevê o encerramento do IO. (...)

Um Despacho do Ministério da Defesa Nacional extingue o Instituto de Odivelas – Infante D. Afonso, fundado a 14 de janeiro de 1900 por um decreto do rei D. Carlos. 
O Instituto tem de continuar aberto a oferecer um ensino de excelência como o faz há já 113 anos.
Lá vos esperamos a todas as Antigas Alunas e a todas as Amigas e Amigos do IO!
Vamos demonstrar com civismo e serenidade que queremos o projeto educativo do Instituto de Odivelas se mantenha no Mosteiro de São Dinis em Odivelas."

Faço coro com as minhas ex-colegas: Não ao encerramento do IO!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

CAMUS



«L'absurde naît de cette confrontation entre l'appel humain et le silence déraisonnable du monde»  Albert Camus (7/11/1913 - 4/01/1960)

Il y a 100 ans naissait Albert Camus

domingo, 3 de novembro de 2013

Carlos do Carmo - 50 anos a cantar a alma


Se deixaste de ser minha
Não deixei de ser quem era
Por morrer uma andorinha
Não acaba a primavera


Como vês não estou mudado
E nem sequer descontente
Conservo o mesmo presente
E guardo o mesmo passado


Eu já estava habituado
A que não fosses sincera
Por isso eu não fico à espera
De uma emoção que eu não tinha


Se deixaste de ser minha
Não deixei de ser quem era
Vivo a vida como dantes
Não tenho menos nem mais


E os dias passam iguais
Aos dias que vão distantes
Horas, minutos, instantes
Seguem a ordem austera


Ninguem se agarre à quimera
Do que o destino encaminha
Pois por morrer uma andorinha
Não acaba a primavera


Carlos do Carmo & Camané - "Por Morrer Uma Andorinha"

Dias de todos os santos, dos mortos e dos "deixados por conta"....







Sexta-feira, 1 de Novembreo 2013

Orçamento aprovado sem palmas

13h30 - Os membros do Governo começam a abandonar a sala.

13h29 - O Orçamento foi então aprovado, sem surpresas e sem palmas, ao contrário do que é habitual.
.....
13h22 - Paulo Portas termina o seu discurso com um "viva Portugal". Segue-se a votação do Orçamento do Estado para 2014.
.....


"EDP deixa bairros sociais do Porto às escuras
Depois do bairro do Lagarteiro, a empresa* foi hoje para Contumil cortar a ele(c)tricidade, sempre sob forte escolta policial...

Em qualquer dos casos trata-se de bairros habitados por homens e mulheres que vivem situações de pobreza extrema, ao ponto de Fernando Gomes, presidente da Associação de Moradores do Lagarteiro ter afirmado á Lusa que "há pessoas com rendimentos tão baixos", que podem não chegar a 100 euros, e "têm de pagar a renda, a água, a luz"".
...

Entretanto, o Lagarteiro volta hoje a ser notícia com dezenas de moradores concentrados frente à Unidade de Saúde de Azevedo, em protesto contra a intenção governamental de encerrar aquele serviço público a partir de segunda-feira. Aquela unidade serve a zona de Azevedo-Campanhã e a alternativa que está a ser apresentada é a deslocação às unidades de saúde familiar do Ilhéu ou de S. Roque da Lameira.
Resulta daqui que uma das zonas mais carenciadas da cidade do Porto fica sem um serviço público tido por essencial, depois de ter já ficado sem a estação dos CTT.”
...
*"A EDP Distribuição cortou na quinta-feira e na sexta-feira o fornecimento de energia em várias habitações dos bairros do Lagarteiro e de Contumil, onde existiam, nalguns casos há vários anos, dezenas de ligações ilegais de ele(c)tricidade."
....

Depois de tudo isto -visto e revisto- na RTPi, a vista embaciou-se-me. Para não ficar também às escuras fui lavar os olhos aqui.
Abençoado mar!