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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

5 de Outubro de 2012

 
 
 
Lacrimae Rerum
 
Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,
Quantas vezes tenho eu interrogado
Teu verbo, teu oráculo sagrado,
Confidente e intérprete da Sorte!

Aonde são teus sóis, como corte
De almas inquietas, que conduz o Fado?
E o homem porque vaga desolado
E em vão busca a certeza que o conforte?

Mas, na pompa de imenso funeral,
Muda, a noite, sinistra e triunfal,
Passa volvendo as horas vagarosas...

É tudo, em torno a mim, dúvida e luto;
E, perdido num sonho imenso, escuto
O suspiro das coisas tenebrosas...

Antero de Quental, in "Sonetos"

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Deserção do embaixador sirio en Bagdad


"La Syrie a confirmé jeudi 12 juillet la défection de son ambassadeur en Irak, Naouaf Al Fares. "Le ministère des affaires étrangères syrien déclare que Naouaf Al Fares a été relevé de ses fonctions et n'a plus aucun lien avec notre ambassade à Bagdad ou le ministère. L'ambassade en Irak continuera de fonctionner normalement", peut-on lire dans un communiqué. Naouaf al Fares, qui était étroitement lié à l'appareil de sécurité syrien, est le premier diplomate de haut rang à faire défection. C'est un nouveau coup porté au régime syrien, quelques jours après la défection de Manaf Tlass, un général proche du président Assad.

(...) Depuis Bagdad, Naouaf Al Fares a appelé mercredi l'armée à "tourner ses canons et ses chars vers les criminels du régime". "Je déclare ma défection de ma mission en tant que représentant de la République arabe syrienne en Irak et mon retrait des rangs du parti Baas" [au pouvoir en Syrie]. (...) "J'appelle de même tous les gens dignes et libres de la Syrie, surtout les militaires, à rejoindre immédiatement les rangs de la révolution", poursuit l'ambassadeur – qui n'a pas précisé où il se trouvait – avant de lancer : "Tournez vos canons et vos chars vers les criminels de ce régime qui tuent le peuple""
.  Le Monde.fr avec AFP |

Mais vale tarde que nunca. Que bom seria se todos os diplomatas sirios seguissem o exemplo do embaixador Naouaf Al Fares!

domingo, 17 de junho de 2012

Duas, três-e-mais-coisas bem ditas



"(...) Na intervenção com que concluí uma das sessões, deixei clara a minha perspetiva de que a emigração por motivos económicos é sempre trágica, porque não é mais do que a constatação da incapacidade do país de proporcionar condições de vida decente a quem nele nasceu. O normal é um cidadão poder realizar-se, em pleno, sem ter de sair do seu país. Às vezes, fica a impressão de que os portugueses têm uma espécie de tropismo identitário para emigrarem, que isso já faz parte da sua natureza. Não nos iludamos e não confundamos os impulsos de aventura e de legítima ambição pessoal ou profissional com as rotas tristes da necessidade e da miséria. O que é uma evidência indiscutível é o facto de que, nos últimos dois séculos, o nosso país foi incapaz de sustentar um processo de progresso interno que desse oportunidade a muitos dos nossos compatriotas de, se assim o quisessem, se realizarem plenamente no seu seio. E, por isso, muitos foram obrigados a saír, por vezes em condições dramáticas, com percursos de vida frequentemente heróicos, dos quais o país se deve orgulhar muito, por tudo quanto esses compatriotas conseguiram fazer por si próprios e pela imagem de Portugal. Mas que, simultaneamente, Portugal também se deve envergonhar bastante, por aquilo que infelizmente lhes não soube proporcionar. Por muito que isso possa não ajudar ao nosso ego, Portugal foi e continua a ser, desde há muito, o país mais pobre da Europa ocidental. E, enquanto isso assim acontecer e não conseguirmos gerar, para todos, soluções decentes de vida, dentro das nossas fronteiras, uma parte de Portugal andará sempre numa viagem forçada pelo mundo."
Francisco Seixas da Costa, Embaixador de Portugal em França in "Duas ou Três Coisas"

domingo, 10 de junho de 2012

Ao desconcerto do Mundo



Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.


                  Luís de Camões